Pureza Doutrinária – Doutrina e Movimento – Parte II

Por que e como surgem as impurezas doutrinárias?
Doutrina Espírita é uma coisa, outra, porém, é o movimento espírita, ou seja, o que os espíritas, os adeptos do Espiritismo, fazem (realizam) em nome dessa doutrina.

O movimento espírita pode apresentar falhas, deturpações, acréscimos indevidos, tanto nas idéias como nas práticas espíritas.

Isso porque, quem adere à Doutrina Espírita e entra no seu movimento:

- já traz consigo idéias, costumes, condicionamentos da religião anterior (dos quais ainda não se despojou) e ainda continua a receber influência de outras obras e movimentos que existem no meio social;

- se não assimilar bem o conteúdo doutrinário espírita, ao começar a exercer atividades em nome do Espiritismo poderá desfigurá-lo, por lhe mesclar doutrina ou práticas com ensinamentos ou procedimentos que não condizem com as suas bases doutrinárias.

Quando isso acontece, perdem-se as diretrizes de raciocínio e bom sendo, pode-se voltar à crendices e superstições, ao mágico, sobrenatural, maravilhoso, ou à crença cega, às práticas exteriores mais diversas e mais estranhas, quem sabe até se retomar o domínio sacerdotal.

Assim surgiram, no passado, e continuam a surgir na atualidade, desvios ou enxertias indesejáveis (tanto de conceitos como de práticas).

Espiritismo “à moda da casa”?!

Por isso, é possível encontrar centros fazendo um “Espiritismo à moda da casa”.

No campo das idéias

Apresentando Deus segundo as antigas concepções antropomórficas, como se fosse uma pessoa, um ser humano, e dos piores, por ser colérico, vingativo, caprichoso e até venal, pois aceitaria ser “comprado” com oferendas materiais.

Falando de Jesus com se ele fosse Deus, quando é criatura e não criador.

Não esclarecendo que a Santíssima Trindade é apenas um simbolismo da perfeita integração de Jesus e dos bons espíritos com a lei divina, agindo como um só, porque nada fazem que não esteja de acordo com a vontade de Deus.

Pregando, ainda, a existência de seres criados diferentes da humanidade, como o seriam os supostos anjos e demônios.

Dizendo que há seres que nunca encarnaram; que a reencarnação acontece como um castigo por uma “queda” espiritual; que um espírito humano pode voltar a encarnar como animal; ou que há, para cada espírito, um número definido de encarnações em cada planeta. Todas elas afirmativas elas afirmativas e errôneas, contrárias aos princípios doutrinários do Espiritismo quanto à igualdade de origem e destinação dos espíritos rumo ao progresso incessante.

Nesses centros pouco preparados doutrinariamente, poderemos encontrar a tribuna cedida a expositores totalmente inexperientes e sem o necessário conhecimento ver livros doutrinariamente incorretos, semeando, ao mesmo tempo, trigo e joio na mente dos leitores.

No campo das práticas

Assistência material

Há centros que se deixam absorver pelo trabalho de assistência material, com prejuízo da sua atividade espiritual.

Sem dúvida a caridade material é necessária e meritória mas essencial e primordial para as criaturas é a assistência espiritual, em que a casa espírita é especializada, constituindo o seu fim precípuo.

Mediunidade

Outros centros, em vez de entenderem a mediunidade como atividade meio ou auxiliar que é, fazem dela atividade principal, empregando-a indevidamente para:

- atender a desejos pessoais, materiais, imediatistas;

- produzir fenômenos a fim de tentar impressionar e atrair freqüentadores;

- ensejar freqüentes consultas aos “guias” sobre os mais comezinhos assuntos, deixando as pessoas dependentes desse aconselhamento, sem que haja a certeza da qualidade a validade da orientação que está sendo ministrada.

Em relação à desobsessão, métodos e técnicas impróprios têm surgido, como por exemplo, o que propõe atendimento “voltado para as multidões” ou o que diz empregar apenas o desdobramento de assistidos e médiuns, sem fazer o diálogo esclarecedor com os espíritos obsessores, que seria necessário “para induzi-los ao arrependimento e apressar-lhes o progresso”, como recomendam os bons espíritos (O Livro dos Médiuns, Cap.XXIII, 254, 5ª).

Sobre o desenho ou pintura mediúnica, indispensável avaliar se o trabalho tem real qualidade artística e não se pode prescindir da análise da natureza do espírito que os produz, dos motivos que o levam a essa atividade. Consideremos ainda se é aconselhável a exibição pública da mediunidade e que as obras produzidas sejam vendidas no local, em leilão.

Curas e terapias alternativas

Muitas vezes, o centro espírita mal orientado se dedica quase que inteiramente à tentativa das curas físicas pela ação mediúnica, sem considerar que:

- as enfermidades não acontecem por acaso, refletem condições espirituais, guardam relação com o estado evolutivo do ser, traduzem carências, lesões, perturbações espirituais, com origem nesta ou em existências anteriores e, portanto, nem todos os doentes poderão ser curados;

- a casa espírita existe não para tratar de corpos mas de almas, porque o Espiritismo cura, sobretudo, os males morais.

Aliás, nesta questão de curas mediúnicas, é necessário lembrar que todo tratamento espiritual de problema físicos precisaria de: prévia avaliação médica (até mesmo com exames); e acompanhamento da evolução do estado do enfermo, feito por profissionais com conhecimento técnico e habilitação legal, para se chegar a uma conclusão confiável quanto aos resultados realmente obtidos ou não.

No caso das chamadas “cirurgias espirituais” feitas com instrumentos e cortes meterialmente, é indispensável analisar (como em todas as manifestações mediúnicas) a natureza do espírito que está atuando (no caso como médico cirurgião, utilizando o corpo do médium) e procurar avaliar de seus propósitos, por que e para que ele está agindo assim.

Quanto às terapias alternativas (cromoterapia, cristalterapia, fitoterapia, acupuntura, apiterapia, aromaterapia, florais de Bach e outros, do-in, jo-rei etc.), podem ter alguns pontos concordantes com o conhecimento espírita, mas, se têm ou não algum valor com o práticas médicas, caberá à ciência definir; não são, porém, atividade própria do centro espírita, porque, além de curar corpos não ser o objetivo primordial do Espiritismo, essas terapias requerem profissionais habilitados e locais apropriados e, no centro espírita, estariam desviando finalidades, ocupando tempo, local e trabalhadores, em prejuízo do verdadeiro labor espírita.

Não percam! Este estudo “Pureza Doutrinária”, continua nos próximos dias!

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