Espiritismo, a Doutrina e o Movimento

Espiritismo, a Doutrina e o Movimento

Somente quando praticarem a moral do Cristo, poderão os homens dizer que não mais precisam de moralistas encarnados ou desencarnados.

Mas, também, Deus, então, já não lhos enviará. (Kardec, A Gênese, Cap. I, item 56)

Por que não praticam?

O Codificador esclarece:

Toda gente admira a moral evangélica; todos lhe proclamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém, assim se pronunciam por fé (confiados no que ouviram dizer ou firmados em certas máximas que se tornaram proverbiais); poucos, no entanto, a ce­ nhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir as conseqüên­ cias.

Para a maioria, o Evangelho é difícil de entender, por estar sob forma alegórica e em linguagem intencionalmente mística.

Lêem como um dever, mas não entendem nem percebem os preceitos morais disseminados aqui e ali nas narrativas, não apanham o conjunto dos ensinos.

A tentativa de colocar os ensinos em moderno estilo literário faz que percam “a primitiva simplicidade”, onde residem sua autenticidade e o seu encanto.

Destacam de um texto as suas máximas e fazem delas provérbios. Com isso, perdem parte do seu valor e interesse, pela ausência de acessórios e circunstâncias em que foram enunciadas.

Exemplos:

- Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra. Tem sido usado para justificar os erros e neles se continuar.

- Bem-aventurados os pobres de espírito. A expressão “pobre de espírito”, com que Jesus indicava os que anseiam se espiritualizarem mais, pois se sentem ainda “pobres” de conhecimento e virtudes, erroneamente passou a significar

gelho e Espiritismo

ignorância e inépcia, e é até empregado para agredir e humi­ lhar o semelhante.

Como Kardec procedeu

Vemos, ainda, no mesmo texto, que Kardec:

Não enfocou os atos comuns da vida do Cristo, os cha­ mados milagres ou as predições, nem as palavras que as igre­ jas cristãs tomaram por fundamento de seus dogmas (como a eucaristia). Agiu sabiamente, pois tudo isso tem sido moti­ vo de divergências e disputas religiosas. Evitou todas as con­ trovérsias, ao abordar exclusivamente o ensino moral do Cristo.

Respeitou os textos originais, conservando o que era útil para desenvolver a idéia, pondo de lado somente o que não se prende ao assunto.

Agrupou os ensinos, não por ordem cronológica, o que nem sempre seria possível (pois há divergências até entre os evangelistas) e não traria vantagem real para o caso, mas por sua natureza, de modo que decorressem uns dos outros (quanto possível). Exemplos:

No capítulo “Nascer de Novo”, agrupou às idéias sobre ressurreição, a reencarnação de Elias como João Batista, a conversa de Jesus com Nicodemos; e ainda fez menções ao Velho Testamento (lsaías e Já).

No capítulo “Muitos os chamados, poucos os escolhidos”, incluiu o festim de bodas, a porta estreita, os que dizem “Se­ nhor, Senhor!” e o “muito se pedirá ao que muito recebeu”.

Acrescentou instruções escolhidas dos espíritos sobre cada tema, obtidas em vários países e por diferentes mé­ diuns, selecionando-as (eram muitas) para evitar repetições inúteis.

Exemplos: Em “Meu reino não é deste mundo”, colocou a mensagem de uma rainha de França, já no mundo espiritual.

Ao fim do trabalho de Kardec, evidencia-se um divino código de moral universal, regra de proceder que abrange todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública, roteiro infalível para a felicidade vindoura, colocado ao al­ cance de todos, mediante a explicação das passagens obs­ curas e o desdobramento de todas as conseqüências.

Toda teoria, porém, só vive se concretizada na prática.

Pelos frutos os conhecereis, ensinou Jesus. Para aquilatar o valor da Doutrina Espírita, bastará constatar os resultados que vem obtendo junto à humanidade:

Quantos sofredores consolados, pecadores arrependidos, descrentes convertidos, rebeldes pacificados, casais reconciliados, crentes fortalecidos, pobres e enfermos assistidos! …

“Não percam a continuação deste texto na próxima semana. Saúde e Paz!”

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